minha escrita é podre e sem cor, me pergunto – pra que escrevo? qual meu propósito? se só descarregar idéias e sensações então pra que publicar tais palavras? meus temas são sempre ego-relacionados, minhas palavras repetidas e exageradas, com meu idealismo imaturo, com meus sentimentos eminentes, minha amargura escondida por trás de camadas enormes de sensações das mais diversas. estas mudam. o gosto amargo de fel se mantém. as palavras são sem propósito, sem cor, sem intencionalidade. não tenho o poder de escrever boa ficção, nem grandes idéias para escrever grandes textos. de modo bem mediocre, sigo vomitando palavras em papéis encardidos, para poucos ou nulos leitores, usando as letras como válvula de escape, as vírgulas como possíveis freios.
tudo isso é verdade, mas seria sacrifício dos maiores me abster do vício da escrita. eu não me sinto capaz. seguirei escrevendo, portanto.

