ela diz que eu vivo reclamando, mas nem mastigando muito eu engulo aquelas palavras metálicas invólucras disformes. eu fiz como se deve, mastiguei muitas vezes, mas nem toda força do mundo me faz deglutir tal massa dissonante de palavras. derramei grandes e pesadas lágrimas pra lavar meu rosto sujo de sangue. eu não sei se era mesmo sangue, mas na boca sentia gosto de sangue, sangue de corte de espelho quebrado, porque sonhei noite dessas que todos os espelhos do mundo quebrariam e eu pisava sobre os cacos descalça e plena, enquanto cozia meu próprio veneno em banho maria. aí acordei assustada, com ela e sua beleza e dedo em riste, falando e mais falando sem dó sem vontade, não quis força nem pra suplicar que parasse, passei os próximos minutos tentando engolir tais palavras sem sucesso e num pedaço desse de segundos em que a gente às vezes consegue se distrair da agonia consegui adormecer novamente. o sono é torpor temporário de alívio das dores mais crônicas mais interinas mais infinitas. até o despertar

